
Homem Passa 44 Anos Na Prisão E, Ao Sair, Se Assusta Com A Tecnologia Do Mundo Atual

Agora imagine o choque que pode ocorrer a uma pessoa que esteve fechada por mais de quatro décadas, sair às ruas hoje e encontrar-se com um mundo cheio de pressa para chegar ao seu destino, brilhantes cartazes, milhares de carros rolando para todos os lados. As pessoas atontadas em frente à tela de um computador ou de seu smartphone, aprisionado em seu próprio mundo.
Foi assim que se sentiu Otis Johnson ao sair da prisão depois de pagar uma condenação de 44 anos, deslocado.
De acordo com um artigo de Jenna Buenhumor, do portal de notícias Al Jazeera, Otis foi preso em 1975, acusado de tentativa de assassinato de um oficial da polícia, o que significa que, quando foi afastado da sociedade, muitas das coisas que vemos hoje em dia, não existiam na época.
Otis tinha apenas 25 anos quando foi para a prisão, mais ou menos, em 1969. O pessoal da Al Jazeera acompanhou o ex-presidiário para dar um passeio pela Times Square, em Nova York, um dos lugares mais movimentados da cidade.
Durante o passeio pela Times Square, Otis revelou que ele nunca tinha visto luzes como as de hoje em dia, reclamos luminosos em HD espalhados por todas as lojas e edifícios. Otis contou também, que portava como a gente não falava mais entre si, e que a maioria andava por aí, como pasmada, encerrada.
Otis disse que, em um primeiro momento, a sensação que teve foi que todo o mundo parecia ter se transformado em agentes secretos da CIA, já que a maioria das pessoas que viu, tinha “cabos” que saíam de suas orelhas (referindo-se aos fones de ouvido) que observava em quase todo o mundo.
Então, olhando mais de perto, o ex-presidiário se deu conta de que os dispositivos com os quais todo mundo fala, na verdade, são telefones celulares, e que recebiam nomes como o iPhone ou algo assim. Além disso, Otis, ele se surpreendeu ao ver que muitos ainda nem olhavam para onde iam, algo que o deixava terrivelmente surpreso, não sabia como faziam para coordenar tantas atividades ao mesmo tempo, caminhar, passar a rua, falar ao telefone, revisar as mensagens, algo que provoca enloquecerse.
Mas não eram apenas os dispositivos eletrônicos, o que surpreendeu a Otis, uma simples visita ao supermercado, que lhe fez perguntar-se sobre a necessidade de que existem tantos produtos, como comidas estranhas e bebidas de todas as cores, algo que o confundia muito, porque, segundo ele, estava muito indeciso para as compras.
Difícil adaptação
Otis terminou de cumprir sua pena no ano passado, e assegurou-se de que a vida na prisão lhe afetou profundamente. Depois de sair da prisão, o ajuste para a liberdade foi difícil, já que tudo tinha mudado muito durante todos estes anos, o que o levou a se acostumar a passar a maior parte do tempo sozinho. Além disso, Otis tinha perdido o contato com sua família no final dos anos 90, o que não tem vínculos com pessoas de seu passado, o que o obriga ainda mais a estar só. No entanto, o ex-presidiário disse que gosta de viajar de ônibus e ver coisas diferentes e se comunicar com as pessoas. Depois de tudo, este tipo de transporte público, ao contrário do metrô, não é tão cheio de pessoas e permite-lhe ter a oportunidade de falar com alguém ou ouvir o que está acontecendo ao seu redor.
Reintegração
De acordo com Jenna, os internos que ganham a liberdade depois de passar décadas em forma isolada enfrentam enormes obstáculos. Depois de tudo, enquanto que estão atrás das grades, não são eles que decidem quando é hora de comer, sair para o sol ou apagar as luzes. Por isso, quando voltam a viver em sociedade, depois de passar a maior parte da vida na prisão, até as coisas mais simples se tornam os principais desafios.
Além das questões relacionadas com o dano psicológico de passar tanto tempo na prisão, esses indivíduos devem se enfrentar e se adaptar a esta sociedade moderna, com tecnologia em avanço constante.
No caso de Otis, a sensação de estar de novo na sociedade é muito boa. Segundo ele, na prisão, os detentos só lhes permitem sair para o pátio, durante intervalos curtos, para tomar sol e conversar com outros presos. Por isso, apesar de todos os desafios que se deve enfrentar, valoriza muito a experiência de ter outra oportunidade em liberdade.


